ONU e emprego para as pessoas com Autismo


Hoje, dia 2 de abril, Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, a ONU, que definiu este dia em 2008, foi o local de um evento dedicado ao emprego de pessoas com autismo. Thorkil Sonne, fundador da Specialisterne, participou desta conferência e do seu planejamento.

Estima-se que mais de 80% dos adultos com autismo não têm emprego. Mas pesquisas recentes sugerem que as empresas estão percebendo que algumas habilidades que as pessoas com diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) apresentam, são mais desenvolvidas que a dos trabalhadores “neurotípicos”, tais como o reconhecimento de padrões, raciocínio lógico ou uma maior atenção aos detalhes.

No caminho para uma sociedade inclusiva

No dia, Ban Ki-moon lançou um “Call to Action” sobre o emprego, convidando empresas e administrações públicas para empenharem-se e comprometerem-se a contratar pessoas dentro do TEA, reconsiderar a maneira como percebem essas pessoas e dedicar tempo para conhecer esta condição e, assim, criar oportunidades que podem mudar a sua vida. “Reconhecer os talentos das pessoas com TEA, ao invés de focar em suas fraquezas, é essencial para criar uma sociedade verdadeiramente inclusiva”, disse o secretário geral das Nações Unidas.

O orador, governador de Delaware Jack Markell, explicou que a contratação de pessoas com TEA não é apenas uma questão social, mas faz sentido do ponto de vista econômico, uma vez que estes indivíduos podem agregar muito valor. Ele elogiou o caminho iniciado em 2004 por Thorkil Sonne ao criar a Specialisterne e mostrar ao mundo que isto era possível. Jack Markell apoiou decididamente a Specialisterne em sua abertura do primeiro escritório nos Estados Unidos em 2013.

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A Specialisterne

Thorkil Sonne, por sua vez, comentou que hoje muitas empresas têm postos de trabalho vagos relacionados à tecnologia. Ao mesmo tempo, “há milhões de pessoas com TEA que querem trabalhar, mas poucos conseguiram”.

Nesta busca por talentos, essas empresas devem reconsiderar os indivíduos dentro do TEA e aplicar quatro valores básicos em seu ambiente de trabalho:

  • Respeito – somos todos diferentes
  • Adaptação – ajustar o ambiente de trabalho para o bem-estar do indivíduo
  • Clareza – definir as expectativas claramente
  • Acessibilidade – fornecer um guia em caso de dúvida

Thorkil, depois de mostrar um vídeo com a perspectiva das pessoas com TEA quando procuram trabalho, enfatizou que somente com a união de esforços de indivíduos com TEA, famílias, educadores, governos, legisladores, empreendedores sociais, ONGs, fundações e filantropos pode-se alcançar a visão de um mundo onde todas as pessoas tenham oportunidades iguais no mercado de trabalho. “Nos 11 anos em que a Specialisterne está atuando em 13 países e 4 continentes, vimos como a esperança de um emprego pode tornar-se uma realidade em circunstâncias muito diferentes.”

E o fundador da Specialisterne acrescentou: “Meu sonho é que quando voltarmos juntos para comemorar o dia mundial de conscientização do autismo em 2025, tenhamos alcançado e superado a meta de criação de 1 milhão de empregos” para este grupo.

Empresas comprometidas

O evento contou com a presença de personalidades diferentes, conhecidas organizações relacionadas ao autismo (Autism Speaks, Autism Europe), universidades e um grande grupo de empresas que já começaram a trabalhar ativamente com as pessoas com TEA, em muitos casos, através da Specialisterne. Assim, explicaram sua visão e compromissos, empresas como CAI, Ernst & Young, Freddie Mac, Hewlett-Packard, Microsoft, Oliver Wyman, Rising Tide Car Wash, SAP e Towers Watson.

A prof. Arlene S. Kanter, da Universidade de Syracuse, afirmou que em vez de nos perguntarmos como a pessoa com TEA pode cuidar de si mesma, devemos nos perguntar como a sociedade deve mudar para garantir a inclusão das pessoas com deficiência.

O prof. Rob Austin, da Copenhagen Business School, destacou que a economia de inovação precisa, mais do que nunca, que as pessoas pensem diferente e forneçam uma perspectiva própria.

Tanja Rueckert, da SAP, explicou seu programa de inclusão conduzido, em colaboração com outras Organizações e com a Specialisterne, para dar emprego, por exemplo, a uma mulher de 56 anos de idade como especialista em garantia de qualidade de software. A SAP já tem mais de 40 pessoas com autismo trabalhando e continua com seu plano para obter 1% de sua força de trabalho dentro do espectro. Após o sucesso de empregar pessoas na Alemanha, Canadá, EUA, Índia, Irlanda e Reino Unido, a SAP agora pretende estender o seu programa de autismo no trabalho ao Brasil e a República Checa.

John Haley, da Towers Watson, salientou que o projeto piloto com 18 pessoas com TEA dedicado à análise de dados tem sido um sucesso, com diversas valiosas contribuições para a melhora dos processos.

Michael Fieldhouse, da Hewlett Packard e Mitch Levy, do governo australiano, comentou sobre o sucesso de seu programa “Dandelion”, feito em colaboração com a Specialisterne, que já permitiu incorporar 11 pessoas dentro do espectro, com a ambição de chegar a muitas mais este ano.

Mary Ellen Smith, da Microsoft, uma empresa que está há 17 anos com um programa de inclusão, anunciou um projeto piloto com a Specialisterne.

Jeremy Badman, da Oliver Wyman, comentou que os resultados de um programa piloto com a Specialisterne com tarefas como gerenciamento de dados tem dado excelentes resultados, e que esta empresa de consultoria já está considerando novas tarefas para as pessoas dentro do espectro.

Ernie Dianastasis, da CAI, empresa de serviços de TI, disse que o maior valor das 35 pessoas com idades entre 18 a 45 anos com TEA que estão trabalhando na CAI são sua “honestidade, foco, lealdade e trabalho duro”. Dianastasis aproveitou para anunciar que o seu objetivo é que “no final do ano 2015, 3% da mão de obra da CAI seja de pessoas com diagnóstico de TEA”.

Outros exemplos

Já são muitas as empresas que foram inspiradas pelo modelo da Specialisterne. Rajesh Anandan, da ULTRA Testing, também participou deste evento, afirmando que incorporar pessoas com autismo é cada vez mais uma necessidade para se manter competitivo. Sua empresa, dedicada a testes de software, tem 80% das pessoas no espectro e recolheu numerosos dados que indicam que “a produtividade das pessoas com TEA, detectando erros no software, é entre 20% e 56% maior que a dos outros”.

E Thomas D’Eri, da Rising Tide Car Wash, mostrou a sua empresa, que emprega 35 pessoas, a maioria com autismo em diferentes graus e dedica-se a lavar carros.

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Brasil e América Latina

A Specialisterne está tomando fortes medidas para iniciar operações no Brasil, neste ano de 2015, no âmbito do plano de réplica mundial do modelo da Specialisterne. Ramon Bernat, membro do Conselho de administração da Specialisterne Foundation e diretor da Specialisterne nas operações da Península Ibérica e na América Latina, comentou na sua entrevista à rádio ONU, “na Espanha e América Latina, temos muito trabalho a fazer e tornar as empresas conscientes de que essas pessoas não são pessoas com deficiência, mas com excesso de capacidade para determinadas tarefas”.

 

Veja a mensagem do secretário geral das Nações Unidas, a web do WAAD e o programa do dia. Ou veja o vídeo sobre o WAAD criado pelas Nações Unidas para este dia.

Você também pode ver o vídeo completo do evento na webtv das Nações Unidas.

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